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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Segundo dia do Overload Music Festival


Segundo dia do festival e estamos aqui novamente, não consegui chegar as 16h30, então quando entrei Via Marquês os ucranianos da banda Antimatter, já estavam na metade do seu set.

Antimatter 
A banda é liderada por Duncan Patterson (ex-Anathema) e Mick Moss, como para esse show só vieram os dois, fizeram um set acústico também. 

O pessoal já forma um bom grupo dentro da casa, empolgados pedem músicas que Mick avisa que não funciona ao vivo e toca a bela Leaving Eden. Ele agradece a todos e a organização do Festival Overload, e pergunta com quem vai com ele para casa essa noite... Espertinho hein? O riso é geral!

As outras que arrancam palavrões do público: Monochrome e Conspire, a casa ainda está meio vazia, Mick agradece a todos por termos ido, só dois músicos no palco, violões e claro a fumaça do mal, para ajudar os fotógrafos de plantão! Muitas palmas sempre, gritos e muito mais.

A última deles é um cover: The Power of Love, tudo fica muito calmo em versão acústica, Mick se despede avisando que volta, mas dessa vez com toda a banda! Acaba as 17h20, mas ele volta rápidamente para o palco abre as cortinas e joga brindes para nós.

Nessa pausa, os organizadores avisam que estão autografando livros lá no mezanino, não ninguém sabia que tinha estandes no mezanino e todos debandaram pra lá nesse intervalo, eu acabei não indo, pois estava lanchando nesse momento.

SetList
01 - Over Your Shoulder 
02 - The Last Laugh 
03 - Mr. White (Trouble cover)
04 - Dream 
05 - A Place in the Sun 
06 - Uniformed & Black 
07 - Leaving Eden 
08 - Monochrome 
09 - Conspire 
10 - The Power of Love (Frankie Goes to Hollywood cover)

Lineup
Violão/Vocal: Duncan Patterson
Violão/Vocal: Mick Moss

Mono
Começa a banda mono às 17h40, como estava no cronograma, todo o festival está bem amarrado com pequenos intervalos entre as bandas, fazendo o festival ficar dentro do horário, o que é muito importante pra quem precisa usar o transporte público. É a primeira vez que vejo uma banda de post-rock instrumental e uma vinda do Japão então? Oportunidade única! 

Eles começam com a Ashes in the Snow que possui uma intro muito fofa, mas os fãs esses gritavam e aplaudiam só dos músicos estarem presentes no palco. Mais e mais pessoas vão chegando a casa, todos os músicos sentados e apenas a baixista em pé, cabeças sempre apontadas para baixo, quase nunca deixando rosto aparecer.

As músicas seguem sempre a mesma estrutura, calmas no inicio para depois irem agressivas para um clímax, misturando vários sons, eles são bem densos e técnicos, e no desenrolar do show vão se soltando e agitando cada vez mais.

Os fãs seguem na mesma pegada que os músicos, dava para ver a paixão pela banda no rosto de cada fã, que aplaude e pede músicas, um dos guitarristas até fica de pé, mas ainda assim não consigo ver seu rosto, como não estou familiarizada com o som acabei me perdendo em qual música estavam, elas soavam muito parecidas para mim.

Nenhum músico se pronuncia durante as músicas mas ao final, o guitarrista Takaakira Goto se pronuncia e fala como é maravilho estar no brasil, e que nós veremos novamente, saíram ao som das palmas emocionadas dos presentes e acabou às 18h35

SetList
01 - Ashes in the Snow 
02 - Pure as Snow (Trails of the Winter Storm) 
03 - Kanata 
04 - Halcyon (Beautiful Days) 
05 - Recoil, Ignite 
06 - Death In Reverse

Lineup
Baixo: Tamaki Kunishi
Bateria: Yasunori Takada
Guitarra: Takaakira Goto
Guitarra: Yoda

Novembers Doom 
As 19h20 sobem novamente ao palco do Via Marques os americanos do Novembers Doom: We are novembers doom and we bring the Rain! 
A música Rain anima todos os presentes que querem registrar cada minuto do show com suas câmeras, mas tudo bem os músicos são esperados aqui no Brasil por muito tempo.

E nesse clima de comemoração o vocalista Paul Kuhr avisa: São Paulo levou 25 anos mas estamos aqui! Pela primeira vez para vocês! Vamos tocar uma música de cada álbum, This is Jealous Sun!

Hoje o set está mais animado, com os fãs mais envolvidos, cantando a plenos pulmões The Novella Reservoir, Just Breathe e Heartfelt. Mas é na I Hurt Those I Adore, que Paul libera toda sua malicia e descontração, o clima do show estava ótimo, os fãs enlouquecidos, mas por causa da programação rígida e dos próximos shows eles tiveram que diminuir três músicas do set list original.

Paul é sorriso de orelha a orelha e agradece a todos que estiveram ontem e que vieram hoje, e espera de coração voltar logo ao Brasil, eles enceram o show às 20h30.

SetList
01 - Rain 
02 - Bled White 
03 - The Jealous Sun 
04 - Harvest Scythe 
05 - The Novella Reservoir 
06 - Just Breathe 
07 - Amour of the Harp 
08 - Heartfelt 
09 - Dark Fields for Brilliance 
10 - I Hurt Those I Adore 
11 - Buried 
12 - The Pale Haunt Departure

Lineup
Baixo: Michael Feldman (Mike)
Bateria: Garry Naples
Guitarra: Lawrence Roberts (Larry)
Guitarra: Vito Marchese
Vocal: Paul Kuhr

Paradise Lost
Os ingleses do Paradise Lost chegaram com o pé na porta com a The Enemy, tocaram músicas de vários álbuns da banda, mas principalmente do último álbum lançado em junho desse ano: The Plague Within, que é pura mistura de melodia e muito peso!
O público presente mostrou que não apenas curtiu o último álbum, como já tinha decorado as letras da música, a minha volta vi muita gente bangueando com vontade durante todo o show.

O vocalista Nick Holmes, estava com o microfone baixo em alguns momentos, mas tudo foi se acertando para o meio do show, seus músicos tocam muito. Ele avisa: Hello São Paulo! quero ver mais mãos para cima! Boa noite são Paulo estamos novamente (a outra vez foi em abril do ano passado) aqui essa é do nosso penúltimo álbum: Tragic Idol! Nós cantamos junto, enquanto todos os músicos tocam mais concentrados, mas agitando muito sempre. Mas é quando começam os primeiros riffs de Erased que o Via Marques estremece eu sou uma das que “grita” o refrão: I don't know anyone (cherish my religion), I don't know anyone (faith is only fiction)!  

Muitas palmas o tempo inteiro e energia para pular depois de dois dias seguidos de festival, mas estávamos lá firmes e felizes, durante esse show dá pra ver o quando a banda transita entre estilos sem se repetir: True Belief, Victim of the Past, Hallowed Land, Isolate entre tantas outras, fizeram toda a pista pular por 1h30.

Ao final Nick se despede sorrindo de nós, os músicos nos cumprimentam e jogam coisas para nós às 22h35. A minha volta vejo rostos cansados (afinal amanhã é segunda) e felizes, muito felizes.
Deixo aqui registrado que foi uma experiência única, tantos estilos e músicos que nem sabia que existiam, ali ao vivo e não só no palco, já que podíamos esbarrar com eles a todo momento. Um evento assim só é feito, claro com muita garra e profissionalismo, mas principalmente com muito amor! Obrigada Overload. E que venha o próximo festival!

SetList
01 - The Enemy 
02 - No Hope in Sight 
03 - Gothic 
04 - Tragic Idol 
05 - Erased 
06 - True Belief 
07 - Victim of the Past 
08 - Hallowed Land 
09 - Faith Divides Us - Death Unites Us 
10 - Pity the Sadness 
11 - Isolate 
12 - Terminal 
13 - One Second 
Encore:
14 - An Eternity of Lies 
15 - As I Die 
16 - Say Just Words

Lineup
Baixo: Steve Edmondson
Bateria: Waltteri Väyrynen
Guitarra: Aaron Aedy
Guitarra: Gregor Mackintosh
Vocal: Nick Holmes

Festival Overload Music Festival


Overload Music Fest tem se tornado um festival cada vez mais aguardado pelos fãs de músicas alternativas, Doom, etc. O festival conta ainda com atrações paralelas como exposições de cartazes, lançamento de livros, venda de diversos itens como livros, colecionáveis, CDs e camisetas.

O que mais me fascinou nesses dois dias de festival, foram a simplicidade de muitos músicos que assistiam as outras bandas ali da pista com a gente, além do telão mostrando o horário que cada banda iria realizar o Meet and Greet com seus fãs, tudo simples, organizado e funcional, que mostra todo o cuidado e carinho com que todos os que realizam este festival tem.

Novembers Doom
No primeiro dia conferimos os americanos da banda Novembers Doom, muito aguardados por seus fãs e que para compensar tanto tempo de ausência tocam os dois dias, hoje o set escolhido foi apenas acústico.

Hello Brasil! Greetings from Chicago, é uma honra estar aqui com vocês! Qual o melhor lugar do Brasil é o Rio? Não? É São Paulo! Nós não sabíamos que tínhamos tantos fãs no Brasil, estamos felizes de estar aqui, hoje o nosso set é mais tranquilo, mas amanhã... Nosso set será Roarrr! Para a Twilight Innocence, a galera bate palmas para a intro, mas os músicos se perdem com um problema no palco, logo voltam e anunciam agora é a Twilight Innocence take 2!

O pessoal vibra e agita o tanto quanto é possível em um set acústico, a casa está até com bastante gente para a apresentação de uma primeira banda. Os músicos são bem calmos e concentrados, assim como seus fãs. Mesmo sendo acústico o pessoal bangueia a todo momento, todos concentrados no som profundo dos caras.

Durante os intervalos, a galera pede música, mas o vocalista Paul Kuhr avisa que algumas músicas simplesmente não funcionam em set acústico, e o pessoal da banda se diverte, falando que outras eles se recusam a cantar.

Paul anuncia que para tocar a: Looking back Through a Child's Eyes – só será ele e o guitarrista Lawrence Roberts, enquanto brincam de como será tocar essa música acústico, o guitarrista Vito Marchese vai gravando tudo o que se passa ao redor.

Outras músicas que marcaram o set foram Autumn Reflection, For Every Leaf That Falls e a última dessa noite: Of Age and Origin (Part 2), os mais fãs cantaram junto todas as músicas, mas todos da casa prestaram atenção aos músicos, e por mais que eu ouvisse muita gente dizendo que o eles só são bons no set pesado, gostei muito de ouvi-los na versão acústica.
Acaba as 17h20 com Paul se despedindo: Obrigado! Amanhã voltaremos com o set pesado!

Setlist
01 - Silent Tomorrow
02 - The Fifth Day of March 
03 - Twilight Innocence 
04 - Clear 
05 - Through a Child's Eyes 
06 - For Every Leaf That Falls 
07 - Serenity Remembered 
08 - Autumn Reflection 
09 - Of Age and Origin (Part 2)

Lineup
Baixo: Michael Feldman (Mike)
Bateria: Garry Naples
Guitarra: Lawrence Roberts (Larry)
Guitarra: Vito Marchese
Vocal: Paul Kuhr

Andy McKee
Às 17h41 sobe ao palco Andy McKee, ele é um compositor e guitarrista de fingerstyle percussivo (que além de tocar o violão, também o usa como instrumento de percussão), desde 2006 chama a atenção com suas músicas no youtube, hoje ele vai fazer um set com composições próprias e covers conhecidos, usando apenas o violão.

As músicas que mais gostei foram os covers por já conhece-los, mas o show foi extremamente agradável, eu realmente não conhecia esse jeito de tocar, acredito que muitas pessoas além de mim, saíram com esta boa impressão do músico e seu jeito único de tocar, de pé e sempre muito envolvido com a música, falou bem pouco com o público, a parte do show que eu mais gostei foi quando ele trouxe o violão que parece uma baleia... Ok ele disse que era um violão harpa.... Mas seu eu tivesse um daqueles apelidaria de Moby Dick. Brincadeiras à parte, foi um belo show.
Acaba às 18h30 com mais e mais pessoas chegando por aqui.

SetList
01 - Common Ground 
02 - Everybody Wants to Rule the World (Tears for Fears cover)
03 - Africa (Toto cover)
04 - Drifting 
05 - Ebon Coast 
06 - Tight Trite Night (Don Ross cover)
07 - Because It's There (Michael Hedges cover)
08 - Aerial Boundaries (Michael Hedges cover)

Riverside
A próxima banda é uma grata surpresa vinda da Polônia! Animados os músicos agitam a plateia, que acompanha as músicas nas palmas ou nos bangues. 
O vocalista Mariusz Duda anuncia: Brasil! São Paulo! É bom estar aqui pela primeira vez!

As músicas que mais levantam o povo são: Lost (Why Should I Be Frightened By a Hat?), Hyperactive, The Depth of Self-Delusion e Escalator Shrine. Quem vai chegando já se posiciona em frente ao palco para conferir de perto essas músicas progressivas e enérgicas.

Os músicos estão animados e nos chamam nas palmas e heys, nós contribuímos com alguns air guitars aqui em baixo. A qualidade do som é impecável, e a estrutura da casa está ótima, se consegue ver bem e ouvir bem em qualquer ponto da pista.

Ao final do show os músicos sorridentes, agradecem vem até a ponta do palco cumprimentar algumas mãos, o show acaba as 19h45, mas eles conseguiriam manter um show animado por mais 1h.

SetList
01 - Lost (Why Should I Be Frightened By a Hat?) 
02 - Feel Like Falling 
03 - Hyperactive 
04 - Conceiving You
05 - 02 Panic Room 
06 - The Depth of Self-Delusion 
07 - Saturate Me 
08 - Egoist Hedonist 
09 - Escalator Shrine

Lineup
Baixo/Vocal: Mariusz Duda 
Bateria: Piotr Kozieradzki
Guitarra: Piotr Grudziński
Teclado: Michał Łapaj

The Reign of Kindo
Ás 20h20 entra com seu ritmo caliente, os americanos do The Reign of Kindo, eles misturam vários elementos em suas composições, mas logo nessa primeira música: Impossible World, achei que o Máscara ia aparecer com umas maracas a qualquer momento e dançar no palco com eles.

Piadinhas a parte, eles levantaram o público como ninguém, e mesmo quem estivesse fazendo galhofa com o baixista mais malemolente de todos os tempos, não ficou indiferente a banda, nisso estão inclusos até os funcionários da casa!

As músicas que me marcaram: Thrill of the Fall, The Moments In Between, Hold Out e a Till We Make Our Ascent.

Eu descreveria esse show como o mais divertido do festival, o clima de alegria do palco era contagiante, aqui na pista, se via mais e mais pessoas juntas dançando e muitos cantando as músicas.

E durante mais de uma hora os músicos conseguiram manter esse clima, se você curte músicas e misturas diferentes, com tons alegres e versáteis, sugiro escutar esses caras. O show acaba as 21h30, e várias pessoas que acompanharam desde o Novembers Doom estão procurando um canto para sentar.

SetList
01 - Impossible World 
02 - Feeling In The Night 
03 - Thrill of the Fall 
04 - Needle & Thread 
05 - Bullets In The Air / Romancing A Stranger 
06 - Battling the Years 
07 - Till We Make Our Ascent 
08 - The Moments In Between 
09 - Hold Out 
10 - The Hero, The Saint, The Tyrant, & The Terrorist 
11 - Just Wait 

Lineup
Baixo: Jeffrey Jarvis
Bateria: Steven Padin
Guitarra/Vocalista: Joseph Secchiaroli
Guitarra: Michael Carroll
Guitarra: John Baab
Percussão: Geraldo Castillo
Piano: Danny Pizarro

Anathema
Finalmente às 22h20 e para delírio geral da nação, entram os músicos do Anathema ao som de nossas palmas e com a intro rolando, as pessoas acompanham cada nota da música Anathema, os ingleses sempre intensos e interagindo com galera. 

Um adendo, no meio do show do The Reign of Kindo, esbarramos com Danny, que gentilmente tirou fotos conosco, contando do show anterior e pedindo chicletes.

Todos estão espremidos em frente ao palco, acredito que a casa tenha chegado a mais da metade da ocupação, mas provavelmente variou, já que muita gente saiu depois de ver sua banda favorita, eu suponho.

O vocalista Vincent Cavanagh está animado: Boa noite são Paulo! Tudo bem? Obrigado! Muitas palmas, duas vezes em um ano! É muito bom hein? Eles vieram também em fevereiro deste ano. 

Não tem uma palavra que descreva melhor esse show do que imersivo, viajamos junto com a banda em suas músicas profundas e cheias de significado. O pessoal agitou? Orra e como! Com palmas gritos e pedidos de casamento toda vez que a vocalista Lee assumia o microfone. Sempre muita emoção durante as The Lost Songs, A Simple Mistake, mas a que mais me derrete e a todos a minha volta é a incrivelmente triste: A Natural Disaster, com seu refrão: 'Cause no matter what I say, no matter what I do, I can't change what happened...

Sim a mão do sentimento chega a tremer... voltando a resenha, os músicos estão mais satisfeitos com a casa do que a última vez que vieram (a casa era outra), já o público é o mesmo dos dois shows, feito de fãs incansáveis e apaixonados.

Mas também tivemos grandes momentos de energia no palco com a eletrônica Closer e a enérgica Thin Air! O encore começa as 23h30 com mais quatro músicas para o público. O show acaba meia noite, com Vicent nos agradecendo e falando que é muito bom estar de volta ao Brasil, pede que voltemos amanhã porque ainda tem muita banda para tocar, todos se despedem e demora um pouco para os fãs saírem da imersão do show, claro que ao final o sorriso estampado no rosto dos presentes confirma o sucesso deste primeiro dia de festival.

SetList
01 - Anathema
02 - Untouchable, Part 1 
03 - Thin Air 
04 - The Lost Song, Part 1 
05 - The Lost Song, Part 2 
06 - The Lost Song, Part 3 
07 - The Beginning and the End 
08 - A Simple Mistake 
09 - Universal 
10 - Closer 
Encore:
11 - Firelight 
12 - Distant Satellites 
13 - A Natural Disaster 
14 - Fragile Dreams

Lineup
Baixo: James Cavanagh
Bateria: John Douglas
Guitarra: Daniel Cavanagh
Guitarra/Vocal: Vincent Cavanagh
Teclado: Daniel Cardoso
Vocal: Lee Douglas

terça-feira, 5 de maio de 2015

Resenha - Grave Digger - Carioca Club - São Paulo - 03/05/2015


Texto: Erika Alves
Fotos: Ronaldo Chavenco

Era um dia importante para os torcedores do Palmeiras e do Santos que se espremiam em frente de uma pequena TV no estacionamento localizado em frente ao Carioca Club para ver a final do campeonato paulista. Enquanto o jogo rolava eles espiavam a porta para ver se já podiam entrar na casa para ver o show de uma das mais amadas banda de Heavy Metal, o grande Grave Digger que está na estrada desde os anos 80 se apresentava pela 9ª vez na cidade.

As pessoas iam chegando aos poucos, e por volta de 19h00 a galera empolgada já começava a gritar “ole, ole, ole Grave Digger”. E enquanto começa a marcha fúnebre as 19h10, aparece o tecladista Hans Peter Katzenburg vestido de The Reaper, para a nossa alegria. Os outros músicos aparecem em seguida com a "Hell Funeral" do álbum "Return Of The Reaper" lançado no ano passado, mas que os fãs já tem todo na ponta da língua.


E para mostrar que esses alemães não estão de brincadeira mandam ainda os hinos "Witch Hunter", "The Dark of the Sun" e "Lionheart", que fizeram todos da pista ao mezanino cantarem à plenos pulmões.

O vocalista Chris Boltendahl é um showman, carismático, sempre dá um jeitinho de interagir seja apontando  ou fazendo pose para os fotógrafos, já o guitarrista Axel Ritt vai para o lado mais brincalhão, fazendo solos até o chão ou dando uma reboladinha ao som dos próprios riffs. Sem firulas no palco apenas a capa do último álbum enfeitando o fundo do palco, na pista ainda tinha um estande vendendo camisetas oficiais da banda.


Nas pausas os músicos aproveitam para ficar um pouco na frente do ventilador, aqui a minha volta temos bastante gente suando também, Chris comenta: Good Evening são Paulo! Are you ok? É ótimo estar em são Paulo de novo depois de 3 anos! Prometemos que íamos voltar e voltamos para trazer para vocês o melhor do heavy metal alemão! Obrigado por virem essa noite! Temos muitas músicas novas e antigas para vocês!

E continuam a pauleira com as matadoras "War God", "Tattooed Rider", "Knights of the Cross" e a obrigatória "Excalibur". Poucas músicas que acalmavam a galera a ponto de ficar fácil de tirar foto sem ter a chance de sua câmera ser acertada por algum punho feliz, caso da música favorita de Chris: "The Curse of Jacques", nessa eu e uma galera conseguimos tirar umas fotos legais do palco. 


Antes do encore Chris nos apresenta os músicos e conta a quanto tempo cada um está na banda, o clima de amizade entre eles é evidente, a pausa acontece após a clássica "Rebellion (The Clans Are Marching)"  mas em poucos minutos eles voltam ao palco para finalizar o set com um trio poderoso: "Highland Farewell", "Morgane le Fay" e "Heavy Metal Breakdown". Esta ultima agita tanto que até fazem roda no meio da pista e vejo um segurança sorrindo enquanto o vocalista canta e aponta para ele. Infelizmente os músicos se despedem as 21h50, nos agradecendo, lançando baquetas e palhetas, além de brincar com a plateia fazendo que ia entregar o clássico óculos escuros, mas não entrega.

Quando as luzes se acenderam ainda ficaram à espera de mais pois nem parecia que já haviam se passado quase duas horas de puro heavy metal por nossos ouvidos! Uma belíssima apresentação que deixou os fãs com um enorme sorriso no rosto.

Line Up
Vocal: Chris Boltendahl
Guitarra: Axel Ritt
Baixo: Jens Becker
Bateria: Stefan Arnold
Teclado: Hans Peter Katzenburg

Set List
01 - intro
02 - Hell Funeral 
03 - The Round Table (Forever) 
04 - Witch Hunter 
05 - The Dark of the Sun 
06 - Ballad of a Hangman 
07 - Seasons of the Witch 
08 - Lionheart 
09 - The Last Supper
10 - War God 
11 - Hammer of the Scots 
12 - Tattooed Rider 
13 - The Curse of Jacques 
14 - Excalibur 
15 - Knights of the Cross 
16 - Rebellion (The Clans Are Marching) 
Encore:
17 - Highland Farewell
18 - Morgane le Fay 
19 - Heavy Metal Breakdown

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Resenha - Korzus / Paul Di'anno - Carioca Club - São Paulo - 12/04/2015


Texto: Erika Alves
Fotos: Ronaldo Chavenco

Domingo é dia de descanso? Não para os banguers que se reúnem hoje no Carioca Club para assistir aos shows memoráveis de Korzus e Paul Dianno.

Pontualmente às 19h30, são abertas as cortinas para os paulistanos do Korzus, que desde os anos 80 espalham seu belo Thrash Metal pelo mundo.P or aqui, possuem um público cativo, que cantou a plenos pulmões os hinos: Discipline of Hate e Raise Your Soul do excelente álbum Discipline of Hate lançado em 2010, essa primeira parte do set contou ainda com: Never Die, Bleeding Pride e Truth, muita gente até tenta filmar e tirar fotos dos músicos na pista, mas sempre aparece alguma roda pra movimentar todos por aqui.


Marcello Pompeu, vocalista e fundador da banda, nos saúda - Boa noite galera! Estamos juntos novamente! Gostaria de uma salva de palmas para os 30 anos da rádio Corsário! Ele conta que é da época de quando Julio Viseu começou na rádio e pede uma salva de palmas para ele.

E tocam a porrada na orelha do álbum Legion de 2014: Bleeding Pride, que mesmo sendo relativamente nova, é recebida muito bem pelos fãs, Todos os músicos agitam muito lá em cima, e os fãs na pista não deixam por menos, os músicos interagem muito, seja andando pelo palco, bangueando ou tocando na guitarra do outro.

What are you looking for? Do álbum Ties of Blood (2004) Faz todos cantarem o refrão: I see your death, What are you looking for? Pompeu, showman, canta com um gutural cada vez melhor, enquanto o baixista Dick Siebert sempre dá um jeito de tocar próximo das pessoas da pista. Mas a coisa toda pega fogo mesmo é com música Correria (também do Ties of Blood) que levanta todos da pista ao mezanino, nesse momento até guardo meus óculos pra curtir o show sem preocupações.

Pompeu comenta das passeatas que estão ocorrendo em São Paulo, e das pessoas insatisfeitas com a corrupção no país, parabeniza o guitarrista Kiko por entrar no Megadeth e todos os artistas que conquistaram uma carreira internacional, fala sobre o programa rádio corsário e completa falando que o Heavy Metal depende de todos os envolvidos: músicos, produtores e principalmente nós que somos os guerreiros do metal! E enlouquece a todos com a clássica Guerreiros do Metal - SP Metal - Vol.II de 1985.


Finalizam o set com chave de ouro com o cover da banda Slayer: Raining Blood (Reign in Blood de 1986) muito comemorada pelo público. Simpáticos os músicos vem até a ponta do palco entregar palhetas e baquetas para o pessoal da pista e tirar aquela clássica foto conosco de fundo, enquanto saem do palco, uma pessoa nota meu caderninho e pede: Coloca aí! Isso é uma verdadeira aula de metal! Eu concordo plenamente e digo mais! Escute o último CD dos caras porque esta imperdível! Acaba às 20h30.

Quarenta e cinco minutos depois, Paul Di'Anno (ex vocalista do Iron Maiden) é apresentado como a “Besta do Metal” (sério? Em português essa expressão não fica tão épica), também é comentado sobre o acidente de moto que ele teve, sobre como ele poderia ter cancelado a turnê, mas Paul preferiu estar conosco esta noite.


Enquanto as cortinas são abertas, ele aparece sentado com uma mesinha de apoio do seu lado, E pergunta: Tudo bem? É bom estar de volta!  Como prometido haveriam músicas do álbum Iron Maidens (1980) e Killers(1981). A ansiedade é difícil de segurar logo nas primeiras músicas: a marcante The Ides of March, seguida por Sanctuary pulada e adorada por todos, sabe como é, quando toca Iron o povo ama! O público é composto de jovens, adultos, metal heads e professores de matemática! A banda de apoio é muito animada, pulando, correndo ou pulando. 

Na pausa, Paul comenta sobre o acidente e que decidiu adiar a cirurgia para estar aqui, celebra: Saúde! Onde estão os corintianos? E faz várias brincadeiras com os outros times, depois confessa que ama a todos nós (até os bambis, é esse Paul está bem HueBr).

Temos as matadoras: Murders in the Rue Morgue, Killers e The Beast Arises, a casa está cheia e todos cantam ou pulam por aqui na pista. Volta e meia a peça do microfone de Paul cai o que sempre rende uma careta do vocalista, que ainda se queixa de ter que usar tantos medicamentos para a dor e não poder dançar, nem fazer capoeira or fuck!


A potente Prowler vem para animar as coisas, o som geral não sai tão limpo e nítido como foi com o Korzus, mas para os fãs não tem tempo ruim, e quando digo fãs incluo os músicos que esbanjavam energia e sorrisos para nós.

Transylvania e Charlotte the Harlot acalmam o povo, que aproveitou esses momentos para aquela foto marota do palco, para colocar no face. Paul nos intervalos sempre conversa conosco, comenta o quanto é fantástico tocar em São Paulo, fala que seu novo álbum trará coisas novas e será brutal.

As incríveis Phantom of the Opera, Running Free e Prowler são as que eu mais queria ver ao vivo (é a primeira vez que vou a um show do Paul Di’Anno) e mesmo com todas as adversidades dessa noite agitaram tanto que esquecemos que amanhã é segunda e volta a semana puxada.

Mas de todas do Iron a mais amada foi Iron Maiden, tinha gente na roda levando o amigo nas costas durante essa música! Ignorando o bom senso, Paul fuma e pede uma Jack Daniel’s para seu promotor e é prontamente atendido.


Já tinha ouvido falar que ele gostava bastante de punk, mas realmente me surpreendi com as duas músicas finais do set: Blitzkrieg Bop (Ramones do primeiro álbum de 1976) e Anarchy in the U.K.(Sex Pistols álbum Primeiro álbum: Never Mind the Bollocks Here's the de 1977), foram cenas divertidíssimas protagonizadas na pista, pessoas dançando, sorrindo e cantando, mostrando que algumas músicas ultrapassam gêneros e o tempo.

Mal acaba a última música e Paul se despede rapidamente e deixa o palco apoiado nas muletas, uma cara de cansado, mas satisfeito. Igual a nossa cara de meros mortais que tem que acordar cedo na segunda feira seguinte. O set quase completo do álbum Iron Maiden, além de clássicos do Killers e canções inesquecíveis, me fez fã deste vocalista, porque manter o bom humor e cantar por mais de uma hora medicado não é para qualquer um! 

Set List - Korzus
Truth 
Vampiro 
Discipline of Hate 
Raise Your Soul 
Bleeding Pride 
Never Die
What Are You Looking For 
Correria 
Lifeline
Pausa
Agony
Internally
Guerreiros do Metal 
Legion
Raining Blood

Set List - Paul Di'anno
The Ides of March 
Sanctuary
Wrathchild 
Murders in the Rue Morgue 
Killers 
The Beast Arises 
Children of Madness 
Genghis Khan
Prowler 
Phantom of the Opera 
Transylvania 
Charlotte the Harlot 
Iron Maiden 
Running Free 
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